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As 5 Principais Razões Pelas Quais os Engenheiros de Software se Despedem

Perceber o que faz os engenheiros de software despedirem-se é uma estratégia crucial para o sucesso do seu projeto. O autor, o Rafael Martins, que é ele próprio engenheiro de software, apresenta-lhe 5 razões pelas quais os profissionais desta área decidem mudar de emprego.

As 5 Principais Razões Pelas Quais os Engenheiros de Software se Despedem

Neste artigo, vamos dar-lhe 5 razões pelas quais os engenheiros de software optam por mudar de empresa e ainda algumas estratégias para o ajudar a reter os seus colaboradores.

O mercado nunca foi tão competitivo como agora. A razão principal? Aquela que o Covid-19 veio revelar: as pessoas descobriram quanto tempo podem poupar sem longas deslocações para o trabalho, quão produtivos podem ser sem todo o ruído de fundo do escritório, quanto podem poupar quando não não obrigados a sair de casa e muito mais.

Evitar que os profissionais de tecnologia saiam da sua empresa está a tornar-se mais desafiante a cada dia que passa, por isso, saber o que faz com que estes profissionais se despeçam, é mais do que uma curiosidade: é uma estratégia crucial que lhe custará sucesso se não a aplicar.

Ao longo deste artigo, vou explorar algumas das dores que fizeram com que engenheiros de software (eu próprio incluido) começássemos a olhar para lá dos limites das nossas empresas. Por vezes chegando ao limite de trocar de emprego.

5 Razões pelas quais os Engenheiros de Software se Despedem

Índice:

  1. Sentir a existência da hierarquia;
  2. Não se sentir ouvido;
  3. Não se sentir reconhecido;
  4. Falta de confiança;
  5. Falta de projetos interessantes.

1. Sentir a Existência da Hierarquia


Na maior parte das vezes, a hierarquia ajuda-o a manter a ordem num ambiente específico. É uma estratégia orgânica que todas as empresas precisam para ter sucesso.

O que não é natural é forçar os seus colaboradores a aceitar, sem questionar, todas as exigências dos seus superiores. Há uns tempos, tive uma entrevista em que o entrevistador ficou negativamente surpreendido quando lhe falei da minha frustração por não aceitar simplesmente a decisão de um arquiteto. Argumentou que tal decisão não deveria ser posta em causa por aqueles que a iriam implementar. Caso contrário, estaria a desrespeitá-lo. A partir daí, soube que nunca trabalharia para aquela empresa, nem a iria sugerir a colegas da mesma área.

Managers devem apoiar e não exigir. Devem ouvir e ter em consideração a opinião da sua equipa.

Assim, os seus colaboradores vão sentir-se confortáveis o suficiente para dar a sua opinião, dar sugestões e discutir ideias sem sentirem que estão a cruzar a linha hierárquica.

2. Não se Sentir Ouvido


Ouvir os seus colaboradores é uma excelente qualidade que qualquer empregador deve ter. Mas para provar que estão realmente a ouvir – e não apenas a acenar enquanto pensam noutra coisa – têm de agir em conformidade.

Infelizmente, ouço muitas queixas semelhantes a estas:

Estou cansado de trabalhar com as mesmas 20 frameworks antiquadas que já ninguém usa”. 

Sinto-me sobrecarregado. Temos de distribuir a carga de trabalho de uma forma mais eficiente”.

Não me sinto confortável com as pessoas a ligarem-me sempre que estou de férias só porque alguém precisa da minha ajuda.”

Tenho uma rotina de vida profissional desequilibrada… e dois filhos para criar.”

Os seus colaboradores já se queixaram de algo semelhante? E fez alguma coisa para o resolver?

Infelizmente, ignorar estas queixas só adia o ponto de ebulição das mesmas. À medida que o mercado se torna mais competitivo, este tipo de empregadores começa a ficar para trás. A maioria das pessoas procura empresas e empregadores que mostrem que se preocupam com elas.

Como colaborador, procuro um empregador que compreenda as minhas necessidades a nível financeiro, profissional e pessoal.

3. Não se Sentir Reconhecido

Não há nada melhor do que ter alguém a certificar-se que estamos bem, quer na vida pessoal, como na vida profissional.

Pela minha própria experiência, e a dos meus amigos engenheiros de software, posso concluir que muitas empresas tendem a esquecer a importância de mostrar pequenos atos de empatia e gratidão para com os seus colaboradores. 

Na semana passada, tivemos um sprint stressado com muita pressão de um cliente, demasiados to do’s e algumas ausências na equipa. Precisávamos de avançar, para podermos entregar uma versão beta de uma aplicação a tempo. E que seria apresentada a cerca de 40 pessoas. Mantivemo-nos unidos, concentrados, e conseguimos entregar tudo sem obrigar as pessoas a fazer horas extraordinárias. (A propósito, também é bastante gratificante que as horas extraordinárias possam ser compensadas, mais tarde ????).

Inicialmente, o cliente felicitou-nos pelo excelente trabalho. Foi bom receber esse reconhecimento, fiquei satisfeito! Uma semana depois, o meu project manager enviou-me um email a agradecer-me individualmente.

Fiquei surpreendido e emotivo porque não estava à espera. Esta pequena ação foi mais do que suficiente para me ajudar a perceber que a minha empresa reconhece todo o trabalho árduo que investimos neste projeto. Não precisavam, mas fizeram-no na mesma.

Quero sentir-me assim mais vezes. Provavelmente não sou o único.

4. Falta de Confiança

O Covid-19 forçou-nos a reorganizar as nossas vidas, mas se nos trouxe uma coisa boa, foi que o trabalho remoto é finalmente visto como uma prática aceitável. 

As empresas foram obrigadas a confiar nos seus colaboradores e a permitir-lhes trabalhar a partir de casa. Consegue certificar-se de que os seus colaboradores estão a trabalhar tanto como trabalhariam no escritório? Pode aparecer e espiar o ecrã deles sempre que lhe apetece? Não. E há sempre a possibilidade de ter alguém a afirmar que passou um dia inteiro a trabalhar numa tarefa quando, na realidade, metade foi passado na playstation.

Mas deixe-me dizer-lhe algo que provavelmente não é novidade para si: tempo e inflexibilidade não são o mesmo que eficiência. Só me apercebi do quão eficiente eu era, em casa, quando todos fomos obrigados a trabalhar remotamente, devido à quarentena. Depois de algum tempo, comecei a trabalhar no estrangeiro, em França, Itália, Hungria, etc. Ainda tento ir ao escritório uma ou duas vezes por semana sempre que regresso a Portugal, mas trata-se sobretudo de manter relações, não porque vou trabalhar mais. Normalmente, é o oposto.  

E se acha que este é apenas o meu caso, dê uma vista de olhos neste estudo sobre o trabalho remoto vs no escritório: o desempenho das pessoas pode aumentar até 13%!

O que realmente deve importar para si é que o trabalho seja feito… independentemente da localização do colaborador.

O mesmo se aplica a outros tipos de empregos. O que importa se o carteiro assiste a um vídeo do Youtube durante o seu horário de trabalho? Nada, desde que todas as encomendas sejam entregues até ao final do dia.   

Nunca me senti tão feliz por trabalhar em casa, confortável. E considerando que a felicidade está correlacionada com a eficiência, garantir que os seus colaboradores se sintam bem enquanto fazem o seu trabalho deverá ser uma das suas preocupações.

5. Falta de Projetos Interessantes

Pela minha experiência, este é um dos tópicos decisivos mais importantes para fazer alguém pensar em mudar de emprego. A maioria das pessoas que conheço dão esta razão para se sentirem desmotivadas e a mesma deve-se aos seguintes fatores:

  • Tecnologias obsoletas;
  • Falta de impacto na sociedade; 
  • Falta de complexidade do negócio;
  • Falta de arquitetura e inovação tecnológica;
  • Porquê mudar de filosofia se a atual funciona?!

Assim que um colaborador começa a sentir-me estagnado, o próximo passo é perceber que algo tem de mudar. Isso aconteceu-me no meu último projeto. Estava a ficar triste, desmotivado e por isso, menos produtivo. Já estava a pensar em deixar a empresa se a situação continuasse. Ainda bem que pudemos evitá-lo a tempo. Mas, infelizmente, a maioria dos meus amigos engenheiros de software não tem essa oportunidade. Como pode calcular, e considerando que o mercado tem tantas vagas por preencher, sentem-se inclinados a sair. 

Sentir-se estagnado é geralmente o primeiro sinal de que um colaborador não está onde deveria estar. As empresas devem evitar olhar apenas para a rentabilidade do projeto, mas também como o projeto irá influenciar e impactar os seus colaboradores, uma vez que o seu lucro diminuirá rapidamente se precisar de começar a recrutar. Outra vez.

Ao perceber o quanto contratar, fazer onboarding e dar formação de um novo profissional podem custar-lhe – em tempo e dinheiro – poderá querer começar a investir em estratégias de retenção. Este artigo diz-lhe tudo o que precisa de saber sobre o assunto.

As 5 Principais Razões Pelas Quais os Engenheiros de Software se Despedem: Considerações Finais

Para que os seus colaboradores se sintam realizados e não tenham vontade de ir a entrevistas de emprego, certifique-se de que se sentem confortáveis com a hierarquia da empresa, ouça-os e aja de acordo com essa informação, reconheça os seus esforços e felicite-os pelas suas conquistas, confie neles e faça com que se sintam motivados com o seu projeto.

A indústria está a crescer a cada dia que passa. Os engenheiros de software são bombardeados com ofertas de emprego todos os dias. Se não se sentirem felizes, é uma questão de tempo até que uma delas chame a sua atenção.

Se está satisfeito com o trabalho da sua equipa técnica, mas está preocupado com todas as oportunidades que lhes são enviadas para a caixa de correio do Linkedin – trabalhar com a KWAN pode ser uma boa solução para si.  

Com uma equipa dedicada de coaches – chamados People Managers – assegurar o bem-estar da sua equipa e garantir que se sentem realizados e motivados com os seus projetos irá garantir que muito dificilmente ocorram saídas inesperadas – e assim o seu tempo é dedicado a fazer crescer o seu negócio e não ao recrutamento incansável de profissionais de IT. Vamos conhecer-nos?

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