Será que a agilidade morreu? Porque a metodologia funciona para uma empresas e não para outras? É possível uma equipa usar SCRUM e não ser ágil?
Passada a euforia do mercado em mais uma “bala de prata” que deixou a desejar na visão dos “entendidos”, acho que finalmente ganhamos espaço para abordar o assunto da forma como deveria ter sido abordado desde o início.
E antes de mais nada, se este assunto é novidade para si, aconselho que leia o incrível artigo escrito pela colega Lais Ortiz que aborda o Manifesto Ágil, seus valores e princípios, e como utilizá-los para um fluxo contínuo de evolução.
Depois de tanta coisa que passei nesses últimos 12 anos trabalhando e auxiliando em “processos de transformação”, presenciando coisas do tipo “Metodologias ágeis”, “Ágil e SCRUM são a mesma coisa”, “Kanban é metodologia ágil”, “O Agile morreu”, entre tantas outras bizarrices, sinto que ainda há espaço para uma tentativa de evolução, afinal é sobre isto que agilidade se trata, não é?
Sem mais delongas, não tenho como ser mais claro que isto que vos escrevo: Agilidade é a intenção e capacidade em fazer melhor a cada tentativa. É sua capacidade de adaptação ao contexto inserido. Sim, envolve velocidade! Quanto mais madura sua organização, mais enxutos e adaptáveis são os processos, tornando as mudanças mais naturais e rápidas. Agilidade é uma busca incessante por eficiência e eficácia. Simples assim!
Entender a essência do que deu vida ao movimento “Agile” ajuda a perceber como “Agilidade morreu” é uma ideia bizarra. Como se mata algo que não é físico? Não é matéria, é intenção! Não é método, nem framework, nem ferramenta. Você pode usar SCRUM e não ser ágil como pude vivenciar na maioria das empresas que auxiliei. Empresas que, só não tiveram resultados piores após “processos de transformações” e “implantações” de agilidade, porque perceberam que se não se adaptassem às práticas de “copy e paste” – se funcionou com o meu vizinho, também funcionará aqui – que o mercado e grandes empresas de consultoria oferecem, iriam à ruína.
No fundo, acredito que a Agilidade cumpriu e ainda cumpre o seu papel. De ser um estressor. Mesmo que baseada em teatro corporativo, em muitas das vezes, faz com que as pessoas se mexam do lugar e promove evolução. Continua e sempre continuará a existir. Pode mudar de nome em algum momento, se vestir de formas variadas, mas nunca deixará de provocar mudanças.
Aqui fica uma verdade difícil de engolir: Metodologia ágil não existe! Ninguém te força a ser uma melhor versão de si mesmo. E assim também acontece às empresas. Podem te apontar caminhos, mas quem escolhe dar os passos é você! As ferramentas podem conduzir e provocar a agilidade, como é o caso do SCRUM, mas não são e não definem a agilidade em si.
Além disso, a agilidade pode ser expandida muito além das TI. Por exemplo… em um processo de recrutamento, utilizar os termos corretos na descrição da vaga que estejam alinhados às necessidades reais da empresa e de seus clientes, ao invés de utilizar textos pré-moldados (olha o copy e paste de novo) contendo dezenas de ferramentas e conhecimentos que, na maioria das vezes, sequer serão utilizados nos projetos, faz com que o processo seja mais assertivo trazendo eficiência e que, com toda certeza, irá facilitar na escolha de um profissional que se encaixa melhor no cenário pretendido, trazendo eficácia. Uma simples ação como esta, promove agilidade.
Aos “agilistas”, “agileiros”, “agile masters”, “agentes de transformação”, aspirantes ou entusiastas, se acreditam no que agilidade propõe e não estão apenas tentando “surfar a onda”, deixo a seguir algumas dicas para fomentá-la onde quiser.
Busque entusiastas e contextos favoráveis às mudanças que irá propor. Isto facilitará o processo e, principalmente, a resistência à aplicação de novas abordagens e comportamentos.
No fim, não é preciso todo um cronograma e passos detalhados para se gerar uma grande transformação. A agilidade acontece dentro de cada contexto, dentro da capacidade de adaptação e da vontade em fazer cada vez melhor.
Um dos princípios que destaco é a “Arte de maximizar aquilo que não precisa ser feito”. Foque no que é necessário, naquilo que gera valor ao seu serviço ou sistema e adapte-se sempre que identificar que as práticas e comportamentos já adotados, te impeçam de evoluir.